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Trabalhadores da Matutano fazem propostas para aceitar laboração contínua

Carregado, Lisboa, 04 jan (Lusa)- Os trabalhadores da fábrica da Matutano, no Carregado, decidiram hoje em plenário entregar 12 propostas à administração para negociarem o regime de laboração contínua, informou Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Alimentação.

“Os 198 trabalhadores presentes nos plenários vão dar hipótese à empresa para negociar um acordo para a laboração contínua e vão entregar 12 a 13 propostas a pedir melhores condições de trabalho”, afirmou à agência Lusa Rui Matias, dirigente do Sindicato das Indústrias da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB).


O dirigente recusou adiantar quais as propostas, justificando que o SINTAB vai apresentá-las primeiro à administração da empresa, cuja única fábrica no país se situa no concelho de Alenquer, distrito de Lisboa.


O SINTAB apresentou queixa à Autoridade para as Condições do Trabalho sobre a imposição do regime de laboração contínua, que disse ser ‘ilegal’, e pretende avançar para o Tribunal de Trabalho.


Os funcionários trabalhavam de segunda a sexta-feira, repartidos por três turnos, mas a empresa quer impor a partir deste ano o regime de laboração contínua, que pressupõe trabalharem aos sábados, domingos e feriados.


“A administração quer um horário de seis dias de trabalho, com folga [semanal] rotativa e duas fixas de três em três semanas, sem nenhuma compensação financeira”, explicou o dirigente.


Rui Matias justificou que a maioria dos trabalhadores “são mulheres, que ganham o salário mínimo, não têm onde deixar os filhos [aos sábados, domingos e feriados] e que equacionam abandonar a empresa”.


“Até terem uma resposta da empresa, os funcionários vão continuar a trabalhar no regime de laboração, iniciado na quarta-feira”, acrescentou o sindicalista.


O grupo Pepsi CO em Portugal, dono da Matutano, esclareceu à agência Lusa que “a mudança de organização foi informada, com antecedência, aos representantes do sindicato e aos colaboradores, e está em total conformidade com a lei, com o acordo coletivo e com os contratos individuais de trabalho”.


A empresa adiantou que o regime de laboração contínua tem como finalidade “aumentar a produção, em resposta à crescente exigência da exportação e é essencial para posicionar a fábrica num crescimento sustentável a longo prazo, que levará a um aumento do número de colaboradores na fábrica”.


Na quinta-feira, os quase duzentos trabalhadores da fábrica estiveram em greve contra o regime de laboração contínua.


 


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Lusa/Fim

Author: JornalOeste

Autoria: Lusa / Notícias
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