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Trabalhadores em greve param fábrica da Matutano no Carregado

Carregado, Lisboa, 03 jan (Lusa)- A greve contra o regime de laboração contínua na Matutano, no Carregado, registou hoje uma adesão “perto dos 100%” e parou a única fábrica da empresa no país, segundo o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Alimentação.

“A adesão à greve está perto dos 100% e a laboração está completamente parada” na fábrica da Matutano, no concelho de Alenquer, distrito de Lisboa, onde trabalham duzentos pessoas, disse à agência Lusa Rui Matias, dirigente do Sindicato das Indústrias da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB).


A agência Lusa tentou contactar a administração da Matutano, mas não foi possível. O grupo Pepsi CO em Portugal, dono da Matutano, não prestou informação à Lusa sobre os números da adesão à greve, mas “reconheceu o direito dos funcionários a entrarem em greve”.


Os trabalhadores trabalhavam de segunda a sexta-feira, repartidos por três turnos, mas a empresa quer impor a partir deste ano o regime de laboração contínua, que pressupõe trabalharem aos sábados, domingos e feriados.


“A administração quer um horário de seis dias de trabalho, com folga [semanal] rotativa e duas fixas de três em três semanas, sem nenhuma compensação financeira”, explicou o dirigente.


Rui Matias justificou que a maioria dos trabalhadores “são mulheres, que ganham o salário mínimo, não têm onde deixar os filhos [aos sábados, domingos e feriados] e que equacionam abandonar a empresa”.


O grupo PEPSI CO esclareceu que “a mudança de organização foi informada, com antecedência, aos representantes do sindicato e aos colaboradores, e está em total conformidade com a lei, com o acordo coletivo e com os contratos individuais de trabalho”.


A empresa adiantou que o regime de laboração contínua tem como finalidade “aumentar a produção, em resposta à crescente exigência da exportação e é essencial para posicionar a fábrica num crescimento sustentável a longo prazo, que levará a um aumento do número de colaboradores na fábrica”.


Os trabalhadores concentraram-se hoje à porta da fábrica, onde afixaram uma tarja a dizer “a luta continua, administração para a rua”.


Na sexta-feira, vão realizar-se três plenários na fábrica para definir novas formas de luta, admitindo a hipótese de novas greves ou manifestações à porta da empresa.


“A luta vai ter de continuar”, afirmou, justificando que não existe “abertura da empresa para discutir” o assunto. O Grupo Pepsi CO garantiu estar “comprometido em manter um diálogo aberto e construtivo com os colaboradores”.


 


 


FYC // JNM


Lusa/Fim

Author: JornalOeste

Autoria: Lusa / Notícias
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