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Retábulo de igreja no Bombarral atribuído a pintor setecentista Baltazar Gomes Figueira

Bombarral, Leiria, 18 set (Lusa) – O retábulo da Capela de São Brás do Bombarral, cujo autor era desconhecido desde o século XVII, foi atribuído ao pintor setecentista Baltazar Gomes Figueira, representado no Museu do Louvre (França), disse hoje o historiador Vítor Serrão.

O professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa – e especialista no artista – explicou à agência Lusa que só há um ano conseguiu identificar o conjunto retabular como pertencente ao pintor Baltazar Gomes Figueira (1604-1674), no decurso da investigação sobre pintura antiga realizada nas últimas décadas em Portugal.


A identificação da autoria deu-se durante a investigação realizada no último ano por encomenda da Câmara Municipal do Bombarral para o livro “Arte por Terras do Bombarral”, que acaba de ser lançado pela editora Caleidoscópio.


Baltazar Gomes Figueira (1604-1674) é um dos três pintores portugueses, que a par de Josefa de Óbidos (sua filha) e Domingos Sequeira, figuram no Museu do Louvre, em Paris.


O seu “apurado naturalismo nas paisagens e naturezas-mortas” tornaram-no num pintor “exímio” cuja obra ganhou “contornos internacionais”, caracteriza Vítor Serrão no livro.


A investigação veio a desembocar hoje na retirada do retábulo do local onde se encontrava para vir a ser restaurado, a pedido do município.


“Trata-se de um conjunto de grande importância artística, ainda da sua fase precoce – aquela de que mais rareiam os testemunhos plásticos -, pelo que se aguarda com grande expectativa o resultado da beneficiação laboratorial a que vão ser proximamente sujeitos”, nota o especialista.


Na publicação, o historiador aponta que o agora apelidado ‘retábulo de São Brás’, é “uma das primeiras obras de Baltazar Gomes Figueira que se identificou até agora, executada sobre suporte de madeira”, já que depois passou a pintar sobre tela, constituindo por isso um “importantíssimo achado para a história da pintura portuguesa” do século XVII.


Por outro lado, refere Serrão, “é uma das suas primeiras encomendas públicas, ao regressar de Sevilha à sua Óbidos natal, e mostra já, pelas pronunciadas características proto-barrocas andalusas, os bons estilemas que Baltazar depois afirmará melhor nas telas sacras”, pelas influências que recebeu de Francisco de Herrera el Viejo, Francisco Pacheco ou Juan del Castillo, nomes destacados da pintura sevilhana.


A notoriedade do pintor Baltazar Gomes Figueira só começou a ser valorizada no final do século XX, após estudos em pintura antiga portuguesa, para os quais contribuiu, em 1985, Charles Sterling, que descobriu a sua “Natureza Morta com Laranjas, Cebolas, Peixe e Caranguejo” (1645) exposta no Museu do Louvre.


A investigação permitiu não só aprofundar melhor o conhecimento dos pintores da Escola de Óbidos, à qual pertenceram Baltazar Gomes Figueira e a sua filha Josefa de Óbidos e diferenciar a obra de ambos, mas também reavaliar a sua pintura, como acontece com o conjunto retabular da Ermida de São Brás.


As obras de restauro vão decorrer durante três meses e o município tenciona vir a criar uma sala dedicada à pintura no Museu Municipal, depois de ter investido 22 mil euros no restauro e mais 14 mil euros na investigação e na análise laboratorial ao estado do mesmo, efetuada por peritos da Universidade de Évora.


No livro, Serrão destaca ainda outras duas importantes obras de pintura antiga, também do século XVII, existentes no concelho: a tábua Santa Justa e Santa Rufina, da autoria de Josefa de Óbidos (1630-1684), que decora a Capela da Columbeira, e a tela que representa a visão miraculosa de Santo António de Lisboa, da autoria de Bento Coelho da Silveira (séc XVI), pintor régio de Pedro II.


 


FYC // TDI


Lusa/Fim

Author: Boss

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