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Munícipes obidenses vão pagar lixo produzido consoante o peso

Quanto mais lixo separarem para reciclar e mais produto orgânico transformarem em estrume, os habitantes em Óbidos vão pagar menos taxas. É o princípio do poluidor-pagador, que faz parte de um projecto-piloto que está em fase de estudo para ser aplicado neste concelho e que visa levar as pessoas a pagarem em função do peso do lixo que fica por ser recolhido nas casas.

“É uma taxa justa, em que a tarifa seja em função do peso do lixo produzido e será um incentivo à reciclagem”, explica o vereador Humberto Marques.

A autarquia entregou o desenvolvimento do projecto à empresa tecnológica YDreams, que idealizou para as freguesias fora da vila contentores individuais com “chips’ (identificadores electrónicos) com o número de contribuinte do morador, onde são depositados os resíduos a serem transportados para aterro por uma viatura com equipamento de leitura do ‘chip’, pesagem do lixo e processamento informático dos dados. Os contentores terão “um cadeado gravítico, que faz abrir a tampa quando o contentor é virado ao contrário, para impedir que haja outras pessoas a colocarem lixo indevidamente”.

Em relação aos moradores dentro do castelo, e tendo em conta que a existência de contentores em cada porta prejudicaria a imagem turística da vila, a solução escolhida é o pagamento de um tarifário em função do volume dos sacos de lixo comprados – de 15 ou 30 litros.

“Quanto mais lixo indiferenciado estiver por recolher, mais se pagará”, aponta o autarca.

A distribuição de um compostor doméstico por cada habitação facilitará a conversão do produto orgânico em estrume, que poderá ser aplicado nos jardins ou entregue nas juntas de freguesia ou Câmara para aplicação em espaços verdes. Neste caso, será compensado quem fizer “desaparecer” este tipo de lixo, pois se não o tiver em casa para ser recolhido, não pagará. A autarquia disponibiliza um manual de procedimentos com a entrega do compostor, que ensina a evitar os maus-cheiros.

Sistema actual menos justo

Actualmente a Câmara tem recolha selectiva de resíduos em “ilhas ecológicas” (contentores com separação de papel, cartão, plástico, metal, vidro e restante lixo), excepto na freguesia da Usseira e na vila de Óbidos, onde a solução foi recolher os sacos azuis (papel e cartão), amarelos (plástico e metal) e de rede, de compras ou outro (vidro), colocados à porta de casa em dias indicados.

O sistema actual é menos justo, dado que as tarifas de recolha de lixo estão indexadas ao consumo de água, o que faz com que quem gaste menos água paga menos pelos resíduos, independentemente da real quantidade produzida.

Números:

Em 2010 foram recolhidas em Óbidos 4780 toneladas de resíduos sólidos urbanos

Cada habitante de Óbidos produz 1,1 quilos de resíduos por dia. Prevê-se que com o novo sistema a produção reduza para 0,5 quilos.

Com o novo sistema em estudo, o objectivo é que 60 por cento dos resíduos sejam reciclados, enquanto que a média nacional é de 12 por cento. Em Óbidos actualmente o lixo diferenciado é 25 por cento.

O investimento previsto ronda os 780 mil euros, envolvendo fundos previstos para o efeito.

Author: Boss

Autoria: Francisco Gomes
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